Mais angústia e incerteza sinto,
Quanto mais percebo que acabou,
Menos me conformo em ter que conviver com esta dor,
Eu insisto em brigar com o espelho,
Que insiste em mostrar aos meus olhos o meu desespero,
Que mostra também o meu medo e a minha insegurança,
Insegurança que você jogou no chão junto com a aliança,
Quando resolveu partir levando os meus sonhos,
Insegurança que eu precisei carregar nos ombros,
Quando a porta com força bateu,
Escondendo a sua face naquela tarde de chuva que meu coração nunca esqueceu,
E quanto eu mais olho aquela nossa fotografia antiga,
Mais eu me convenço de que estou de novo virando inimiga,
Do meu próprio juízo e do meu próprio senso de humor,
Mais me convenço de que estou aos poucos morrendo por amor,
E sendo manipulada por um sentimento que controla e é impulsivo,
Sentimento que hoje demonstra perigo,
Para todos ao meu redor,
Já que se ele quiser posso a qualquer momento fazer o pior,
Contra mim ou contra qualquer um que esteja por perto,
Pois sou assim, movida de um jeito bem direto,
Pela sede de amar,
Pela vontade de poder de novo encontrar,
A felicidade que foi para longe com você naquela tarde,
Aquela tarde de chuva que seu rosto pela última vez cobriu,
A mesma tarde em que sozinho por ai meu sorriso saiu.
Procurando pelas suas pegadas que se apagaram,
Procurando pelas suas risadas que me deixaram,
Naquela tarde de chuva minha vida repentinamente mudou,
Pois hoje voltei a ser apenas mais uma menina que se deixou,
Enganar por um “felizes para sempre”,
Que só dura uma eternidade nas historias infantis,
E que está tentando primeiro ficar de pé,
Para só bem depois tentar mais uma vez ser feliz..
(Pamela Dutra)

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